terça-feira, 24 de julho de 2012

NOVA FEIRA DE ARTE QUER ATRAIR CLASSE MÉDIA::07 À 11/11::RIO DE JANEIRO-BRASIL.

 

Artigo Rio, que acontece de 7 a 11 de novembro na Cidade Nova, terá obras com preço máximo de R$ 17 mil

                                  O curador Alexandre Murucci.

Obras de arte ao alcance da classe C. Essa é a proposta da Artigo Rio, feira de arte contemporânea que terá a sua primeira edição em novembro, no Centro de Convenções Sul América, na Cidade Nova. Criada pelo produtor e curador carioca Alexandre Murucci, a feira pretende atrair 30 galerias cariocas com trabalhos até R$ 17 mil e alcançar um público que geralmente não frequenta os corredores badalados das grandes feiras de arte do país, como a ArtRio e a SP Arte.
— O objetivo é atingir uma classe média que não tem um poder aquisitivo tão grande para consumir arte, mas que sente vontade de começar uma coleção, por exemplo — diz Murucci. — Quero que quem mora no Méier, Tijuca, Duque de Caxias, se sinta à vontade em uma feira de arte contemporânea. A democratização do acesso é o maior intuito da Artigo. Vamos ter uma maior clareza nas informações e nos preços. Quem vier à feira tem que ter certeza de que não há preços flutuantes: é tudo como numa vitrine de shopping.
Preço médio de R$ 3 mil
De acordo com ele, a Artigo, marcada para ocorrer de 7 a 11 de novembro, tem o compromisso de expor 70% das obras à venda com preço médio entre R$ 500 e R$ 3 mil, mesmo que se possa encontrar obras até 17 mil, o teto da feira. O curador conta que quis criar o evento de olho em um nicho de mercado que cresce exponencialmente, inspirado em feiras internacionais com o mesmo perfil, como a Affordable Art Fair, que desde 1999 vende obras de arte a preços mais acessíveis em 15 cidades pelo mundo, como Nova York, Londres, Roma, Cingapura, Cidade do México e Estocolmo — onde vai acontecer a próxima edição, de 4 a 7 de outubro. O modelo da Artigo se assemelha à feira paulistana Parte Arte Contemporânea, este ano em sua segunda edição (de 17 a 21 de outubro), em que os preços não passam de R$ 18 mil.
— Existe uma demanda no mercado que não é apenas o alto consumo — sublinha Murucci. — Enquanto isso, há um grande $úmero de artistas, jovens ou em meio de carreira, com trabalhos de qualidade mais em conta que muitas das obras meramente decorativas, fadadas a desvalorização, à venda em lojas de decoração. Eu comprei Vik Muniz quando era barato e apenas oito anos depois, vale 4.000% a mais do que paguei.
As inscrições para a feira começam na próxima terça-feira e vão até o dia 8 de agosto, mas algumas galerias já se mostraram interessadas, como Artur Fidalgo, Coleção de Arte, Cosmocopa e Múl.ti.plo:
— É mais um acontecimento no Rio, o que só reforça a cidade e o mercado de arte aqui — avalia Artur Fidalgo, dono da galeria que leva seu nome. — Ainda não li os termos de participação, por isso ainda não posso confirmar se vou entrar, mas a proposta é muito interessante. Os preços mais baixos são um grande atrativo para quem está começando uma coleção.
Cristina Magalhães Pinto, da Múl.ti.plo, também se sentiu atraída e concorda com Fidalgo.
— Ainda não li a application, mas acho que vale a pena. Quanto mais eventos de arte por aqui, melhor — opina. — Gosto muito do Alexandre. Ele tem feito propostas interes$para a arte na cidade.
Atualmente curador da Galeria Vertical, no Solar de Botafogo, Murucci é responsável por mostras como "Nova escultura brasileira" (2011), na Caixa Cultural; e a coletiva "Panorama Terra", em cartaz no consulado argentino, que reúne obras de nomes como Simone Michelin, Rosana Ricalde e Bruno Miguel.
O curador afirma que os valores mais baixos das obras não interferem na qualidade:
— Quero ter galerias com artistas valorizados no mercado, mas que ainda não atingiram um preço tão alto. Muitas vezes, nas grandes feiras, não vale a pena levar um artista iniciante porque o preço da obra não pagaria os custos do galerista, por isso só levam pesos pesados.
Uma das organizadoras da ArtRio, que acontece de 13 a 16 de setembro no Píer Mauá, Brenda Valansi vê com bons olhos a iniciativa de Murucci:
— Não estava sabendo, mas achei ótimo! Quanto mais eventos de arte no Rio, melhor.
Murucci diz ainda que quer negociar com o governo do Rio a mesma isenção de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) que a ArtRio e a SP Art tiveram.